A Tristeza

Como costumas enfrentar a tristeza?

O que costumas fazer quando te sentes triste?

Como reages frente a uma criança triste?

Convido-te a responder a essas perguntas antes de continuar a ler o texto…

A tristeza é uma das cinco emoções base. (As outras são a alegria, a raiva, o medo e o nojo). Quero colocar desde já a premissa que, não há emoções negativas e emoções positivas. Todas fazem parte de nós, chegam através da ativação do nosso sistema nervoso, são manifestadas no nosso corpo e fazem parte de quem somos.

É mesmo muito importante desenvolver a capacidade de identificar, vivenciar e respeitar a emoção que nos abita no agora.

Sempre mais se ouve falar de quanto seja importante adquirir Inteligência Emocional, que é a forma de conhecermos as nossas próprias emoções, de ganhar autoconsciência.

Precisamos então de abrandar o ritmo e sentir, estar atentos ao que está acontecer em nós e acolhe-lo.

Mas vamos então a Tristeza.

A tristeza é geralmente temida, é uma emoção da qual habitualmente tentamos sair.

Normalmente vem a seguir a raiva, a raiva descontrolada cega-nos e a tristeza traz-nos consciência, ternura e conexão. Traz-nos de volta ao corpo, faz-nos descarregar a energia acumulada na raiva e devagarinho faz-nos aproximar novamente a nos e depois aos outros.

É bom saber que pode não haver uma razão especifica para sentirmo-nos tristes. Há uma conotação negativa da tristeza. Porque ela traz normalmente lagrimas, e nos associamos as lagrimas a dor e sofrimento e na nossa sociedade estamos educados que não é bom ficarmos ai, que temos que fugir. Então acontece que, de modo geral, quando alguém a nossa volta está triste, dizemos frases do género:

“Não vais ficar ai nesse mar de lagrimas”

“Precisas de sair”

“Precisas de te divertir”

“Vou buscar-te e vamos beber um copo”

“Vais ver que fazer shopping vai ajudar-te”

“Eu sei do que tu precisas”

E quando se trata de uma criança:

“Já passou”

“Queres ir comer um gelado?”

“Estas a chorar por nada”

“Que exagero”

“Para de chorar”

Ou então contar piadas e/ou fazer palhaçadas

Qualquer uma dessas atitudes não inclui empatia… Pois a empatia é a capacidade de ficar ao lado do outro com o que o outro tem. Sem querer tira-lo de lá, dando-lhe espaço para que vivencie a sua emoção ao seu tempo. Sem lhe dar conselhos e soluções rápidas.

Empatia é oferecer suporte, sem julgamento. É ficar ai, sem querer mudar nada.

Empatia é aceitar onde o outro está.

Empatia é perguntar se há alguma coisa que possamos fazer. Perguntar se lhe é confortável se estivermos ai ao lado. Perguntar se lhe apetece falar sobre como se sente.

Empatia é respeitar o outro. Respeitar se precisa de ficar sozinho, se não quiser partilhar, se não quer ser abraçado.

Eu sei que as intenções são boas. Eu sei que custa ver alguém que amamos triste, sei que é desafiante ver uma criança triste. Mas garanto-vos que é um processo natural. E não estou a dizer que temos que ignorar.

No caso das crianças o papel do cuidador é mesmo importante, pois o sistema nervoso delas ainda não está completamente desenvolvido, portanto o cuidador pode ajudar, com uma atitude curiosa e amorosa, e pode fazer observações do género :

“Estou a notar que estás recolhido e a chorar”

“Imagino estejas triste…”

“Há alguma coisa que posso fazer por ti?”

“Está ok para ti se fico aqui ao teu lado?”

“Achas que um abraço ajudava-te?”

Temos que começar a confiar. Porque confiar é empoderar. Acreditar que qualquer um de nos é capaz. Se nos acreditamos nisso, vamos transmiti-lo a quem estiver a o nosso lado.

A tristeza é impermanente. Normalmente vem a seguir a raiva, a raiva descontrolada cega-nos e a tristeza traz-nos consciência, ternura e conexão. Traz-nos de volta ao corpo, faz-nos descarregar a energia acumulada na raiva e devagarinho faz-nos aproximar novamente a nos e depois aos outros.

A tristeza convida a sentir, ao silencio, a introspeção, a sentir a vulnerabilidade e a ternura no peito, a fecharmo-nos, a pausarmos.

A tristeza traz cura, com ela lambemos as nossas feridas.

As emoções, quando vivenciadas de uma forma saudável, são impermanentes.

Ou seja chegam, ficam um pouco, ajudam a descarregar, a resolver sabiamente algo que precisa de ser vivenciado e depois vão e deixam lugar a próxima emoção.

Se pensarmos nos nossos momentos de genialidade, não se manifestam no meio de uma grande festa… poetas, compositores, artistas, pintores, escritores, cientistas, santos… criam a partir da tristeza.

“Sadness is not the opposite of joy, but her gateway”

Jeff Foster

Embora permitirmo-nos dar as boas vindas também a tristeza quando ela bate à porta da nossa casa?

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