Dia do Pai

Hoje celebra-se a figura do Pai.

Uma figura tão importante nas nossas vidas…

Vou trazer três perspetivas diferentes sobre o pai.

A primeira tem a ver com a minha experiencia pessoal enquanto filha.

Na minha infância o meu pai deu-me tudo o que eu precisava. Encheu-me de amor. Mesmo muito. Fez-me sempre sentir especial, lia-me as historias e fazia-me festinhas até eu adormecer. Tinha sempre tempo para mim. Pois, ele deu-me a coisa mais preciosa que uma criança possa ter : TEMPO. Dedicou-me muito tempo (mesmo muito!!)

Quando tinha seis anos os meus pais separaram-se e eu lembro de contar os dias, as horas para poder estar com ele. Tinha sempre varias hipóteses para eu escolher sobre como ocuparmos o tempo juntos. Dizia-me que as coisas feitas sem mim não eram a mesma coisa…

Disse-me vezes sem conta “És tão inteligente Marzia”, “És tão bonita”.

O meu pai transmitiu-me o interesse pelas viagens : lembro-me de arrancarmos para as férias a noite para não apanharmos transito, num cenário que só nos filmes italiano se vê: carro cheio prestes a explodir, tenda, fugão, mesa, almofadas, levávamos literalmente a casa as costas…

Pela aventura, pois viajamos de comboio pela Europa toda sem saber uma palavra de inglês nem de outra língua sem ser o italiano.

Pelos livros : lia-me livros, historias e eu assistia ele a devorar literalmente livros, era um fiel frequentador da biblioteca…

Pelos jogos de sociedade (quantos serões passamos a jogar as cartas, ou a scrabble, ou a risko…).

Ensinou-me como um adulto pode ser criança com brincadeiras, risotas e caretas.

A vida não foi muito generosa com o meu pai, mas ele foi sempre muito generoso comigo.

Eu inundava-o de prendas: rolos de papel higiénicos decorados, cartas de amor, flores de papel…ele guardava tudo religiosamente.

Com o meu pai experienciei o amor incondicional e eu sou tão grata por isso!

Contribiui para contruir as fundações para que hoje em dia me sinta forte e  capaz de me amar. Grazie papino!

A segunda tem a ver com o pai das minhas filhas.

Reconhecendo a qualidade da minha experiência com o meu pai , criei expectativas. Errei. Errei e aprendi.

No principio foi muito desafiante para mim. Tinha a arrogância de achar que eu sabia qual era a forma mais correta dele ser pai…

O pai delas é ele mesmo, com a sua unicidade e com todo o valor que essa unicidade tem. Elas escolheram-no como pai. E ele tem todo o direito de ser pai e aprender a ser pai a maneira dele.

Quando nos separamos, a minha tentação de voltar para Itália foi muito forte. Aí teria mais apoio com as minhas filhas, tendo lá toda a minha família. Mas lá não estaria o pai delas. E para mim era claro que elas precisavam de manter e criar relação com ele, de poder vivenciar a paternidade, de poder experienciar e ter por perto essa figura tão mas tão importante e fundamental no desenvolvimento da criança…

Todo esse processo foi fácil para mim? Não. De todo.

Mas para mim foi uma prioridade.  Essa experiencia convidou-me a olhar para mim, para dentro, para as minhas questões…E hoje em dia estou tão feliz de ter tomado essa decisão em consciência e não me ter deixado levar para assuntos que nada tinham a ver com a preciosa relação que elas precisavam de ter com o pai…

Ele é um exemplo incrível de criatividade, de invenção, de aventura, de desenrasco, de bom humor, de leveza…

Elas também contam os dias para ir ter com ele, e para mim isso é tão valioso.  

Obrigada Pedro, pelo maravilhoso pai que és.

A terceira tem a ver com tudo o que sei profissionalmente, o que estudei e acredito. Vou falar do arquétipo do pai. O conceito do Arquétipo (desenvolvido pelo Carl Jung) representa potencialidades e características associadas a padrões de comportamento.

Arquetipicamente, a figura do pai é aquela que representa a coragem, que dá proteção, que desafia, que nos dá direção, que cria.

É a semente, não a terra.  

É essa figura do pai que nos inicia ao mundo, que nos “afasta” do ninho, para mergulharmos em autonomia para a vida. O arquétipo do pai tem modos diferentes do da mãe para transmitir amor e para cuidar. É fundamental para o nosso desenvolvimento termos uma figura que representa o arquétipo do pai, com toda a preciosidade que nos traz em quanto crianças e faz de nós adultos autónomos, capazes, empoderados.

É preciso ter cuidado a não cair nos aspetos prejudiciais desse papel: quando proteção ou dar direção passam a ser controlo ditatorial ou abuso de autoridade e poder…

Dito isto, não significa que essa figura tenha que ser cumprida obrigatoriamente pelo pai, no meu caso foi “invertido”, a minha mãe representou esse papel 😉

Que se celebre então o papel do pai, que lhe se dê espaço e confiança para que se possa expressar na sua unicidade, possa amar e possa contribuir para o desenvolvimento, sendo um exemplo de vida que as crianças tanto precisam de ter!

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