“O Chapéu Carmesim”

3 Anos: Olha para si mesma e sente-se uma Rainha:

8 Anos: Olha para si e vê-se como a bela Adormecida:

15 Anos: Olha para si e vê-se gorda, borbulhenta e feia.

(«Mãe, não posso ir para a escola assim.»)

20 Anos: Olha para si e vê-se demasiado gorda ou demasiado magra, demasiado alta ou demasiado baixa, com o cabelo demasiado liso ou demasiado encaracolado, mas decide ir mesmo assim.

30 Anos: Olha para si e vê-se demasiado gorda ou demasiado magra, demasiado alta ou demasiado baixa, com o cabelo encaracolado, mas não tem tempo para fazer mais nada e por isso vai conforme está.

40 Anos: Olha para si e vê-se demasiado gorda ou demasiado magra, demasiado alta ou demasiado baixa, com o cabelo demasiado liso ou demasiado encaracolado, mas diz «Pelo menos estou limpa» e vai.

50 Anos: Olha para si, diz «Eu sou» e vai onde quer ir.

60 Anos: Olha para si e pensa nas pessoas que nem sequer conseguem olhar-se ao espelho.

Sai e conquista o mundo.

70 Anos: Olha para si e vê sabedoria, boa disposição e talento. Sai e diverte-se.

80 Anos: Nem sequer olha para si. Põe um chapéu carmesim e sai para se divertir no mundo.

Talvez devêssemos pôr o chapéu carmesim mais cedo na vida.

Mallika Chopra

Feminino e masculino numa flor

Masculino e feminino

Os jarros são umas das minhas flores favoritas. 

Quando abrandamos o ritmo, podemos contemplar como na natureza há significados e representações de uma sabedoria incrível.

Vejo nessas lindas flores, a representação de uma dinâmica tão importante nas nossas vidas em geral, e também na parentalidade. 

Vejo nela representados o feminino e o masculino, não no sentido de mulher e homem, mas na expressão energética, arquetípica deles, o yin e o yang. 

A parte branca da flor, quando aberta é em forma de coração. É a parte mais “acolhedora” da flor, branca, suave, macia ao tacto, tem a forma de um “jarro” em si, como se de um contentor, uma vagina, um útero, se tratasse, que acolhe, abraça, envolve, protege.

A parte do pistilo, de cor amarela forte, a cor e a força do sol. É cónico, duro, diretivo, como se fosse uma seta, uma indicação, um pénis e é como se determinasse, mostrasse um caminho claro, definido, direcionado.

Nós precisamos desses dois lados dentro em nós. 

Precisamos de amar, abraçar, envolver, proteger, quer que seja os nossos filhos, como os nossos sonhos, as nossas paixões, as nossas relações. 

Assim como precisamos de definir as nossas intenções, a direção, de saber quais são os meus limites, o que depende ou não de mim.

Precisamos de cultivar o vinculo, a conexão, a empatia e ao mesmo tempo um limite, uma direção, um foco. Em nos e para com o outro.

O Amor em si, sem intenção, sem direção, é energia sem orientação, sem um caminho ou uma rota. É como uma carta de amor sem morada…

Não estou com isso a dizer que o amor em si não seja benéfico, adequado, apropriado (pois precisamos mesmo de Amor em nós, para connosco, para com o outro, para com os nossos filhos, no mundo!!!)

Apenas estou a refletir como se pode tornar mais frutuoso, fecundo, satisfatório, belo, quando é vivido na expressão feminina e masculina dentro do mesmo ser. 

É isso que me lembra a natureza cada vez que vejo um jarro. 

Lembra-me da importância de olhar para mim, para dentro e na minha tendência em cuidar instintivamente e amorosamente do outro. Lembra-me que o cuidar em si, se eu não estiver centrada, alinhada, inteira e honesta para comigo, vai ficar vago, confuso, coxo, incompleto e com metade do potencial, das possibilidades.

Assim como no exercermos apenas a direção, fica uma expressão dura, fria, despida, pobre de empatia e compaixão.

Somos seres duais e é preciso cultivar o equilíbrio, sem com isso sentir-nos em contradição, mas sim a ver e abraçar os dois pratos da balança e reconhecer a preciosidade que somos sabendo-os integrar isso em nós.

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O que é a parentalidade?

Eu gosto de ir às origens, de perceber de onde nascem coisas e descobri o lindo significado que essa palavra contém: Parent vem do latim Pario, que significa parir ; idade vem do latim aetas, que significa idade, idade adulta, idade da consciência. Ou seja, podemos traduzir parentalidade por: “Acompanhar um Ser desde o nascimento, até a idade da consciência.”

Achei maravilhoso.

E despertou logo, em mim, um sentido de responsabilidade. Responsabilidade para com as crianças que se cruzam no nosso caminho, com um sentido acrescido para os nossos filhos, obviamente. E para connosco próprios. Pois para eu poder acompanhar outro ser humano para a consciência, eu preciso de a ter em mim…

Assim como não posso ajudar e suportar ninguém sobre algo que eu não tenha conhecimento e experiência adquirida em mim!

Ganhar consciência sobre nós, convida-nos a notar e cuidar dos nossos padrões, a notar e libertarmo-nos dos condicionamentos que nos bloqueiam. Convida-nos a reconhecer as nossas paixões e a segui-las, a sonhar e a brilhar a partir da nossa essência. 

Para mim é um convite em ir às origens, às nossas origens, ou seja à nossa infância.  

Não para encontrar culpados ou para julgar, mas para cuidarmos. Esse cuidar ajuda-nos a compreender, a ter compaixão, a ganhar consciência de onde vem alguns nossos comportamentos que já não nos servem, mas que continuamos a utilizar de uma forma inconsciente, continuando a alimentar as nossas feridas. Se não cuidarmos dessas feridas, dessas crenças, continuaremos a estar amarrados a elas, a perpetuá-las e deixá-las como herança aos nossos filhos e ao mundo. E aqui entra a responsabilidade.

Ao observar à minha volta, adultos e crianças, (e a observar-me a mim própria e às minhas filhas), surgiu-me a imagem da Parentalidade como um novelo completamente emaranhado, confuso, onde frente a um comportamento nosso, ou dos nossos filhos, ou das relações com as pessoas mais próximas, não se percebe o que se passa… não está claro porque nos toca tanto, o que está por detrás e como enfrentar, entender, confiar, resolver.

Daqui surgiu a minha necessidade e vontade de decifrar, esclarecer, descobrir, situar, arrumar os fios que compõem aquele novelo emaranhado e confuso para procurar ter clareza sobre os vários aspetos que compõem o desafiante mundo da Parentalidade, e poder assim integrá-los de uma forma consciente e harmónica, num todo que é a vida, de modo que nos permita conseguir viver de uma forma mais congruente, mais autêntica, mais íntegra e empoderada. 

A Parentalidade faz parte de nós, não é apenas algo que pratico com os meus filhos, é algo que está em mim, pois eu sou filha, fui por minha vez “parentalizada”. A Parentalidade inclui e integra tudo o que há em mim enquanto adulto.

Ao abrandar o nosso ritmo, ao tornarmo-nos mais atentos e curiosos sobre o que se passa internamente e as nossas emoções, ficaremos mais atentos às nossas ações, que muitas vezes são reações inconscientes.

Deixamos de culpar os outros (filhos, pais, amigos, companheiros, colegas…) para passar a compreendê-los e até os chegamos a agradecer por nos mostrar, através de os desafios da relação o que não estávamos a ver em nós próprios. 

Tornamo-nos mais gentis, mais luminosos, mais autênticos. Responsabilizamo-nos pelas nossas ações, por quem somos. 

Isso precisa de coragem, precisamos de confiar, precisamos de não ver as coisas apenas como certo ou errado, preto ou branco, precisamos de saber ver e aceitar os nossos erros e que errar faz parte da aprendizagem, não é algo para o qual temos que ter o incutir vergonha. 

Há poções mágicas, comprimidos, soluções milagrosas para isso?

Não. É essencial passar pelo processo.

Mas há super poderes! Acreditem que cada um tem os seus, bem guardados dentro de si mesmo! Temos apenas que se ter a coragem para ser vulneráveis e vestir a nossa camisola, mostrar ao mundo nosso fato de super herói! 

E integrá-los na parentalidade.