O que acontece na nossa infância, não fica na nossa infância!

As sementes de quem somos hoje em dia, foram plantadas na nossa infância.

A maioria das pessoas não têm memórias cognitivas do primeiro setênio, que é na realidade a altura em que são construídas as fundações, os alicerces da nossa casa interna.

Não é preciso ter memória, pois está tudo gravado em nós, no nosso corpo, de forma inconsciente, e movemos-nos na vida com padrões automáticos que foram adquiridos como as melhores respostas que a nossa criança encontrou na altura por segurar a necessidade primária : a de ser ACEITE e AMADA.

Esses padrões são levados para as nossas relações, pela forma como educamos, pela forma como nos vemos quando olhamos para nos próprios…Às vezes são saudáveis, outras vezes nem por isso e impedem que possamos acreditar em nós, acreditar que merecemos ser aceites e amados para aquilo que realmente somos!

Para que isso aconteça, precisamos de ter consciência de quem somos na nossa essência, de voltar a abraçar a criança que há em nós, aceita-la e amá-la.

Daí a importância de conhecer as necessidades de cada fase do desenvolvimento da criança, para ganhar consciência de quais consequências possamos ter na idade adulta e poder libertarmos-nos desses condicionalismos!

Hoje é o dia da mulher…muito podia dizer sobre isso, mas gostava de vos convidar a reflexão: qual é a ideia que vocês têm de mulher? Qual é o papel da mulher? O que quer dizer ser mulher? E : de onde vêm essas crenças? São realmente tuas ou é apenas algo que “transpostas” em ti através de condicionalismos?

Abraço em profundo Amor todas as crianças que estão dentro e/ou fora de vocês 🙌❤️

Maravilhas da natureza

Tudo o que vemos fora de nós, é porque o temos cá dentro.

E a medida que o reconhecemos fora, cresce internamente.

Quando digo tudo, é mesmo tudo… se vemos beleza, estamos a cultivar beleza, se vemos arrogância, estamos a cultivar arrogância… pode ser uma bela reflexão por esses tempos: o que estou a cultivar internamente?

O que vejo continuamente fora que não vejo cá dentro?

As vezes é desafiante encontrar em nós qualidades que reconhecemos em outras pessoas…e aqui vem a boa notícia: se as conseguimos reconhecer nos outros é porque as temos em nós, só precisam de ser vistas e cultivadas, reconhecidas, regadas, nutridas.

Precisam apenas da nossa atenção, que se acredite, que tenhamos confiança.

E é exactamente como com as crianças. Eles vão fazer com que as nossas definições, os rótulos que lhes damos, o que evidenciamos neles, defeitos ou qualidades se torne a mais fiel das verdades… Será que estou a tatuar mensagens como: “És um preguiçoso”, “És lento”, “És desarrumado” , ou como: “És tão inteligente”, “Foste tão corajoso”, “Tens umas ideias fantásticas”, “És tão criativo”….?

Nesta altura mais de que em qualquer outra: o que quero cultivar em mim?

O que estou a semear nos meus filhos?

Em que acredita a minha criança interior?

Muito amor para vocês todos nesse momento em que estamos obrigatoriamente todos mais “cá dentro”

Pedir ajuda

Antigamente vivia-se em espírito de comunidade, as famílias viviam próximas e havia muita entreajuda. Hoje em dia vivemos sempre mais isolados, (o Covid veio sublinhar isso…) atrás de ecrãs e redes sociais onde a felicidade parece reinar e o “Vai ficar tudo bem” é o mantra.

Embora eu acredite que “está tudo bem assim como está” e há uma razão para tudo ser assim como é, as vezes ver a luz ao fundo do túnel é um desafio. Há alturas em que precisamos que alguém nos dê a mão. Há dias em que é fundamental saber que não estamos sozinhos (mesmo que assim pareça, ou os nossos pensamentos mais sombrios nos queiram fazer acreditar).

Fazem falta possibilidades de partilhas autênticas, onde tudo é bem-vindo, onde qualquer estado de ânimo é abraçado, onde as nossas dúvidas ou vergonhas são acolhidas sem julgamento. Fazem-nos falta lugares ou pessoas que nos oferecem colos.

Pedir ajuda é um grande ato de coragem.

Saber que precisamos de ajuda, precisa de vulnerabilidade, da força da fragilidade.

Precisamos de poder mostrar-nos na nossa integridade, despindo o “eu consigo” que está vestido de numa contração emocional e corpórea e de um esforço desumano.

Somos mamíferos, somos seres de relações. Precisamos uns dos outros.

Eu agradeço-me por me ter tornado vulnerável, por te sabido despir a minha armadura quando necessário, por ter mostrado a minha fragilidade, as minhas dores, as minhas imperfeições, as minhas mágoas, por ter-me permitido chorar, confiar, render-me, ter deixado de querer controlar e aguentar tudo.

Agradeço a minha família (de sangue e de amigos) , as minhas filhas e aos terapeutas por me acolherem e me dar suporte nos momentos mais críticos da minha vida. Cada um à sua maneira. 🙌

Agradeço a todas as pessoas que me escolheram como suporte, que se vulnerabilizaram, que se despiram, que confiaram em mim e nas minhas capacidade, seja a nível profissional que pessoal.🙏❤️🙌

Peçam ajuda. A alguém em quem confiem, a um profissional. Não deixem que o túnel fique demasiado escuro. Eu sei que custa, eu sei que é um desafio. Mas não deixem de o fazer, é fundamental. Pedir ajuda não significa não estar á altura, não significa ser incapaz. Significa o oposto: ter coragem de me expor e de me predispor a receber o suporte necessário naquele moment. Para não se sentirem sozinhos. Para sentirem o apoio.

Para quem quiser, por quem sentir que eu possa ser a pessoa certa para ajudar, estou aqui!