Somos Todos Génios

Somos todos diferentes, únicos.

Nascemos diferentes.

Temos propósitos unicos.

Temos aprendizagens diferentes a fazer na vida.

Somos todos génios.

A definição generalizada de génio tem dado origem à crença comum que o génio é alguém raro, com capacidades extraordinárias ligadas ao intelecto. Quem sabe fazer contas matemáticas de cabeça, quem escreve musicas em idades precoces. Ao contrario disso, a genialidade está presente em cada ser humano pelo simples facto de ter nascido! Cada célula do nosso ADN demonstra isso! É como uma semente que está intrínseca em nos. Cada um de nos traz a sua própria semente que precisa de ser reconhecida, vista, acolhida, nutrida e cuidada conforme as suas próprias características.

Como se sentem a reconhecer essa genialidade dentro de vocês?

Alguns terão dificuldade em acreditar, em sentir, em caber em tal definição… 

Talvez possa surgir o pensamento que estamos aqui para trabalhar e, ligado a isso a crença que o trabalho exige esforço, sofrimento e compromisso, antes de ter eventualmente direito ao prazer….

É aqui que as vezes o compromisso com a sociedade, com a vida em geral, ganha passos largos, não fazendo-nos notar o que estamos a fazer e de repente não nos apercebemos quão longe estamos de nos próprios, da nossa essência, dos nossos sonhos, do que nos apaixona. Não acreditamos no nosso poder, na nossa individualidade e singularidade. Não acreditamos no incrível potencial da semente que habita em nos. Tornamo-nos protagonistas de vidas medíocres, pouco inspiradoras, vibramos numa baixa frequência, na queixa e descontentamento. Mesmo aqueles que conseguem ver uma saída, uma solução para a própria insatisfação raramente têm a coragem de realizar realmente os seus sonhos devido a um medo profundo de que falte a capacidade e o poder para completar a longa viagem em direcção a esses sonhos, as próprias paixões, ao nosso Ser.

Mas onde começa essa falta de fê, de confiança em nos próprios?

Na nossa infância, na nossa adolescência. 

A nossa alma não duvida, nem por instante da nossa grandeza, mas a segunda de como nos é permitido viver a nossa infância, algo dentro de nos deixa de confiar, em prole da conexão, do vinculo e reconhecimento que tanto precisamos com os nossos pais, cuidadores.

Muitos de nos até podem ter acreditado durante essas fases de vida, aspirando à grandeza, mas a maioria desiste dos próprios sonhos e de si próprio ao chegar a idade adulta.

Também podemos herdar essa falta de empoderamento e reconhecimento dos nossos pais, que por sua vez desistiram dos deles, levando assim avante um padrão de desonrar a nossa unicidade, genialidade e dereito a uma vida satisfatória e apaixonada.

A maioria das crianças pequenas sonham ser estrelas de cinema, futebolistas ou cantores famosos. E a maioria dos adultos vê estes sonhos como fases passageiras na vida de um jovem, dando-lhe pouca importância e até gozando ou diminuindo-as frente a terceiros. Na verdade, estas crianças estão inconscientemente a projetar o seu próprio impulso único, genial, para se destacarem numa área da vida. Este tipo de aspiração sonhadora precoce, se for mantida, aproveitada e orientada, acabará por conduzir as crianças na direcção da sua máxima capacidade, de algo em que se vão tornar mestres!

Lamentavelmente, muitas vezes os sonhos da maioria das crianças são anulados, corrompidos nas próprias casas, ou nos sistemas educativos escolares na monotonia interminável dos currículos estabelecidos, onde se anula a individualidade e grandiosidade de cada Ser.

É na escola que a maioria das crianças aprende a associar o trabalho ao tédio, esforço e fadiga. O problema com generalidade dos sistemas escolares é que tendem a homogeneizar as crianças, tratando-as como um corpo colectivo que precisa de ser educado, em vez de tratar cada indivíduo de forma diferente. Muitas crianças simplesmente não se adequam de todo às escolas e são rotuladas com definições que as vai acompanhar e condicionar durante a vida toda. 

Além disso, se os pais não acreditarem em si próprios, então será muito difícil para eles inspirarem e suportarem criativamente os seus filhos. 

O prazer e o entusiasmo são o combustível do motor que nos leva a brilhar, resplandecer, a distinguirmo-nos. Todas as crianças nascem com o proprio génio, e se lhes for permitido desenvolverem-se na direcção certa, esse génio surgirá inevitavelmente e o trabalho que fazem inspirará outros a fazer o mesmo. O próprio génio é altamente contagioso, tal como o compromisso. Porque o génio é tão contagioso e fortalecedor, ao vivermos a nossa unicidade, podemos verdadeiramente mudar a frequência colectiva de toda a humanidade, influenciar quem está a nossa volta,  empoderarmo-nos e respeitarmo-nos uns aos outros, cada um na sua incomparável expressão.

Mesmo que façamos algo de que não gostamos, mas que é um trampolim para os nossos sonhos, então isso irá transformar a forma como o fazemos, o animo com o qual o fazemos, pois traz com ele a energia de um propósito maior. No entanto, se fizermos algo de que não gostamos porque a sociedade ou a forma como fomos educados de alguma forma nos pressionou ou condicionou a fazê-lo, então iremos ao encontro de num declínio sombrio.

Esse tipo de compromisso pode facilmente tornar-se um hábito, algo em fiquemos presos uma vida inteira e no fim acabará por esgotar a nossa força vital, a nossa luz, e afastar-nos cada vez mais de nos próprios e do nosso verdadeiro potencial. 

É preciso manter vivo o nosso entusiasmo, a nossa paixão, o caminho da nossa alma vendo tudo o que fazemos como parte da nossa direcção e aprendizagem na vida. 

A centelha do génio está presente à nascença, e se reconhecida e respeitada a criança pode ter uma infância individualmente adaptada e cuidada para estimular e nutrir a chama desse génio em particular!

Eu sou única.

Eu nasci diferente.

Eu tenho um propósito único.

Eu tenho aprendizagens únicas a fazer na vida.

Eu sou um génios.

Que tal acolhermo-nos com essas afirmações em cada novo instante?

Escola em tempo de Covid19

Tenho observado, através do feedbacks de vários pais, como as escolas têm reagido a esse estado de emergência…E uso a palavra reação não por acaso… Sinto que, no geral, a atitude é “Temos que continuar, ir para a frente, há um currículo a cumprir até o final do ano letivo!!!” E assim enchem-se mails de fichas e tpc’s… Isso tudo sem ter em conta o que se está a passar mundialmente, estamos no meio de uma pandemia, de mudanças profundas, de crises existenciais, de dificuldades económicas…mas o currículo não pode esperar!

E eu pergunto-me: mas ao final o que é a escola? O que é Educar?

Do latim educareeducere, significa literalmente “conduzir para fora” ou “direcionar para fora”. O termo latino educareé composto pela união do prefixo ex, que significa “fora”, e ducere, que quer dizer “conduzir” ou “levar”. O significado do termo (direcionar para fora) era empregado no sentido de preparar as pessoas para o mundo e viver em sociedade, ou seja, conduzi-las para fora” de si mesmas, mostrando as diferenças que existem no mundo.

Agora, não é o tempo que estamos a viver, uma ótima ocasião para fazer isso?

Em vez de encher os miúdos de fichas, tpc’s, inúmeras paginas de manuais para ler, não será interessante usar os tempos no zoom (….) para educar e exortar os miúdos a sugerir atitudes frente o que se está a passar? Criar um tempo, um espaço onde podem partilhar como eles se estão a sentir, quais as emoções que os assistem, como é viver esse tempo em família, como podemos eventualmente criar novos modelos de vida….

Na minha opinião há tanto, mas tanto mais e mais real a fazer que não apenas passar fichas e encher as famílias de mais “tarefas” nesse tempo de mudança tão complexo e tão exigente para todos…

Fala-se tanto da inteligência emocional e da importância que tem no desenvolvimento humano, como está a ser cuidado esse aspeto fundamental nesse momento da nossa historia? As nossas crianças estão a viver a mesma situação do que nos, estão assustados, estão a absorver todos os nossos medos mais escondidos.

Uma das minhas filhas, passou um dia em tristeza profunda, a chorar porque não sabe quando vai voltar a ver a avó que ama imensamente e que vive em Italia, está preocupada, ansiosa. É preciso respeitar isso, valorizar o que se está a sentir…e agora, HÁ TEMPO, (e É TEMPO) para isso!!!

Não vamos deixar que tudo nos distraia do que estamos a viver, a sentir, porque há tpc’s para entregar… O mundo está a pedir para PARAR-MOS. Pausa.

Eu sei que há escolas diferentes, por exemplo recebi ontem essas palavras no mail da diretora da escola da minha filha: “Então este meu email é só mesmo para vos dizer que são já tantos os desafios deste momento que estamos a viver que não se inquietem com a quantidade de trabalho que recebem, e de propostas, e de vídeos, e de meditações….inspirem, respirem e não pirem……do nosso lado queremos que se sintam apoiados e suportados e manter o contacto com os miúdos, mas do vosso lado façam a gestão do que querem e conseguem fazer. E não se esqueçam de respirar! Por favor que não sejamos nós uma fonte de stress adicional para vocês.” Gratidão por acompanhar o meu sentir, Sofia!

Façam as VOSSAS as escolhas, escolham serem responsáveis e sensatos, aproveitem esse tempo por vos abraçar, mimar, observar, contemplar, escutar, refletir, sentir…é um tempo tão, tão precioso…!!