As Crianças desafiam-nos?

“A Criança que te desafia, está a mostrar-te o caminho para a tua cura!”

Está a iluminar o que na maioria das vezes não queremos enfrentar.
Acorda feridas que nem sabíamos de ter, que estavam escondidas na sombra.

Eu sei é mais fácil dizer “O meu filho está impossível”
“A minha filha tira-me do sério”
“Já não sei o que fazer com ele”
“Ela faz de propósito para me desafiar”
“Está a ser uma tortura”
“Ele faz-me perder a paciência como mais ninguém consegue”
…etc etc
Eu sei.

Mas também sei que se nos permitirmos parar, sentir, conectar com o que se passa cá dentro, há algo que provavelmente nunca foi visto. Algo que nunca foi acolhido. Algo que dói. Algo que precisa de ser abraçado. Algo que finalmente precisa de um olhar gentil. Algo que precisou de estar mascarado com uma armadura bem eficiente durante muito tempo.

Experimenta a ver o desafio como uma oportunidade de evolução. Fica curioso com a possibilidade de novos caminhos. Vai devagarinho e experimenta novas lentes de gentileza para ver o que está a tua frente com mais resolução, com compaixão e devagarinho, com gratidão. Percebendo que nada acontece por acaso e que as crianças a nossa volta só devolvem o que já existe, consciente ou inconsciente que seja 🙌✨

As vezes estamos tão habituados e confortáveis com o caminho que já percorremos tantas vezes que podemos não ver novas perspectivas… Se precisares de ajuda para isso, estou aqui! 🙏

9 Anos atrás

9 anos atrás nasceste tu, com 42 semanas e 5 dias dentro de mim, depois de 3 dias em trabalho de parto.
Sempre soube que eras um Ser muito especial, que sabe o que precisa!
Aprendi e aprendo tanto contigo.
Sobre delicadeza, gentileza, força, unicidade, emoções, determinação, estar no palco, beleza, inspiração, criatividade, genialidade, sensibilidade, leveza, respeito, autenticidade, generosidade, consentimento, autonomia, flexibilidade, fazer uma coisa de cada vez, saber esperar, necessidades…
Aprendi a largar. E a confiar.
A largar o meu medo, meu controle, as minhas expectativas sobre ti (e de consequência sobre a vida), um ser humano muito determinado que não desiste da sua identidade…
Desde sempre mostras-te a tua independência, como se a cada gesto, e até a cada choro, estivesses a dizer-me “Confia em mim, sei o que estou a fazer”
E eu aprendi e aprendo a confiar.
A confiar que precisas apenas de alguém que te suporte no que já és. No que sempre foste. A confiar que a tua alma sabe o caminho.
É bonito de se ler, e é altamente desafiante de se fazer. Porque o mundo em que vivemos não está ainda preparado para isso. E enquanto mãe precisei de dançar entre o deixar-te ser e “fazer uma tradução simultânea” com o mundo a nossa volta…
Nos primeiros anos de vida, quando se desenvolvem as primeiras e fundamentais capacidades de autonomia, confrontei-me com muitos medos. Meus. E tive que escolher: ou acabava por sufocar-te e “matar” a tua autoconfiança, ou tinha que aprender a ver e viver por outra perspectiva. E deixar-te ser.
O amor as vezes faz-nos hiperproteger, acabando por condicionar e moldar o outro por causa de medos ou crenças que são nossos e precisam de ser questionados e cuidados.
Agradeço-te tanto por isso meu Amor.
Contigo aprendi tanto. Uma inspiração para não desistir de mim.
Obrigada por confiares em mim ❤️
E como tu gostas de ouvir quando acaba o dia e entras no mundo dos sonhos: “Ti adoro amore mio, sono così felice di essere tua mamma”

Ser mãe

“Ser mãe é aprender a baloiçar entre o abraçar e o largar”

Mãe. 

Amor de mãe. 

Aquele que sabe quando é preciso segurar, abraçar, envolver, proteger e quando é fundamental deixar ir, largar.

A primeira vez que isso acontece é no nascimento. Nove meses a cuidar 24 horas por dia. Mas depois é essencial deixar ir. É mesmo aí que a criança aprende a respirar com os seus próprios pulmões. 

Acreditar, pela primeira vez,  que se o nosso filho não sair da proteção da nossa barriga, vai ser tão prejudicial que o vai levar à morte. Nossa e dele. 

Ser mãe tem a ver com equilíbrios. Tem a ver com essa capacidade de balancear entre abraçar, envolver, proteger e largar, deixar ir, abrir mão.

Obviamente essa atitude tem que acompanhar o desenvolvimento da criança, é importante estar informados sobre quais são as necessidades de cada fase de crescimento da criança! 

Sei que é muito desafiante…

Ao observar-me no meu ser mãe e nas sessões e cursos, percebi quanto na proteção cega dos filhos, muitas vezes está escondida na sombra uma falta de confiança neles e na capacidade/necessidade que eles têm de se adaptarem, de se autonomizar, de conseguirem. E muitas vezes também tenho observado como a dificuldade nesse deixá-los ir esconde um não querer olhar para as próprias vidas…esse cuidar “absoluto” ajuda a mantermo-nos muito ocupadas nesse “ser mãe” anulando todo os outros aspetos da nossa vida, até a nossa essência… 

Para um crescer saudável todas as crianças precisam que progressivamente se abra mão delas, que o amor incondicional que eles merecem inclui essa confiança no deixar ir, no cortar vários cordões umbilicais, porque ao longo do desenvolvimento precisam de ganhar asas e se afastarem seguros de serem profundamente amados nesse levantar voo.