Feminino e masculino numa flor

Masculino e feminino

Os jarros são umas das minhas flores favoritas. 

Quando abrandamos o ritmo, podemos contemplar como na natureza há significados e representações de uma sabedoria incrível.

Vejo nessas lindas flores, a representação de uma dinâmica tão importante nas nossas vidas em geral, e também na parentalidade. 

Vejo nela representados o feminino e o masculino, não no sentido de mulher e homem, mas na expressão energética, arquetípica deles, o yin e o yang. 

A parte branca da flor, quando aberta é em forma de coração. É a parte mais “acolhedora” da flor, branca, suave, macia ao tacto, tem a forma de um “jarro” em si, como se de um contentor, uma vagina, um útero, se tratasse, que acolhe, abraça, envolve, protege.

A parte do pistilo, de cor amarela forte, a cor e a força do sol. É cónico, duro, diretivo, como se fosse uma seta, uma indicação, um pénis e é como se determinasse, mostrasse um caminho claro, definido, direcionado.

Nós precisamos desses dois lados dentro em nós. 

Precisamos de amar, abraçar, envolver, proteger, quer que seja os nossos filhos, como os nossos sonhos, as nossas paixões, as nossas relações. 

Assim como precisamos de definir as nossas intenções, a direção, de saber quais são os meus limites, o que depende ou não de mim.

Precisamos de cultivar o vinculo, a conexão, a empatia e ao mesmo tempo um limite, uma direção, um foco. Em nos e para com o outro.

O Amor em si, sem intenção, sem direção, é energia sem orientação, sem um caminho ou uma rota. É como uma carta de amor sem morada…

Não estou com isso a dizer que o amor em si não seja benéfico, adequado, apropriado (pois precisamos mesmo de Amor em nós, para connosco, para com o outro, para com os nossos filhos, no mundo!!!)

Apenas estou a refletir como se pode tornar mais frutuoso, fecundo, satisfatório, belo, quando é vivido na expressão feminina e masculina dentro do mesmo ser. 

É isso que me lembra a natureza cada vez que vejo um jarro. 

Lembra-me da importância de olhar para mim, para dentro e na minha tendência em cuidar instintivamente e amorosamente do outro. Lembra-me que o cuidar em si, se eu não estiver centrada, alinhada, inteira e honesta para comigo, vai ficar vago, confuso, coxo, incompleto e com metade do potencial, das possibilidades.

Assim como no exercermos apenas a direção, fica uma expressão dura, fria, despida, pobre de empatia e compaixão.

Somos seres duais e é preciso cultivar o equilíbrio, sem com isso sentir-nos em contradição, mas sim a ver e abraçar os dois pratos da balança e reconhecer a preciosidade que somos sabendo-os integrar isso em nós.

Sharing is caring! Partilhem esse artigo se vos fizer sentido!!! 🙏🏻❤️

O que acontece na nossa infância, não fica na nossa infância!

As sementes de quem somos hoje em dia, foram plantadas na nossa infância.

A maioria das pessoas não têm memórias cognitivas do primeiro setênio, que é na realidade a altura em que são construídas as fundações, os alicerces da nossa casa interna.

Não é preciso ter memória, pois está tudo gravado em nós, no nosso corpo, de forma inconsciente, e movemos-nos na vida com padrões automáticos que foram adquiridos como as melhores respostas que a nossa criança encontrou na altura por segurar a necessidade primária : a de ser ACEITE e AMADA.

Esses padrões são levados para as nossas relações, pela forma como educamos, pela forma como nos vemos quando olhamos para nos próprios…Às vezes são saudáveis, outras vezes nem por isso e impedem que possamos acreditar em nós, acreditar que merecemos ser aceites e amados para aquilo que realmente somos!

Para que isso aconteça, precisamos de ter consciência de quem somos na nossa essência, de voltar a abraçar a criança que há em nós, aceita-la e amá-la.

Daí a importância de conhecer as necessidades de cada fase do desenvolvimento da criança, para ganhar consciência de quais consequências possamos ter na idade adulta e poder libertarmos-nos desses condicionalismos!

Hoje é o dia da mulher…muito podia dizer sobre isso, mas gostava de vos convidar a reflexão: qual é a ideia que vocês têm de mulher? Qual é o papel da mulher? O que quer dizer ser mulher? E : de onde vêm essas crenças? São realmente tuas ou é apenas algo que “transpostas” em ti através de condicionalismos?

Abraço em profundo Amor todas as crianças que estão dentro e/ou fora de vocês 🙌❤️

A saída da escola ou É uma questão de intenções…

O momento da saída da escola pode ser um tempo de muita conexão ou de profunda frustração para os pais… muito depende de como nós vamos ao encontro dos nossos filhos.

Os pais normalmente se queixam que os filhos não partilham, não falam, não contam o que se passou no tempo em que tivemos afastados (isso pode ser no dia de escola ou pode ser quando ficam com os avós, ou com o outro progenitor em caso de país separados…)

A minha pergunta é: qual é a intenção pela qual quero saber? A verdadeira intenção. 

É a de procurar conexão com a criança, de estar verdadeiramente interessados no que ela sente, a de saber se ela está feliz ou não…

Ou de satisfazer o nosso medo? 

Ou a de querer controlar? 

Qual será o efeito que isso desencadeia neles?

“O que fizeste hoje na escola?”

“O que fizeste, onde foste no fim-de-semana com o pai, com quem estivaram?”

Como se sentiriam se alguém vos fizesse perguntas dessa forma? 

“O que fizeste hoje no trabalho?” 

“Com quem estiveste?”🤔

Se realmente estivermos interessados em saber como está a criança, talvez pudéssemos formular a pergunta de outra forma… 

“Como te sentes?”

“Como te sentiste hoje na escola?”

“O teu dia foi divertido?”

“Qual foi o momento mais fixe do teu dia e qual o menos agradável?”

Com verdadeiro interesse, curiosidade, amor : quero mesmo saber de ti, interessa-me saber se estás bem!

E mais uma vez, a importância do nosso exemplo: podemos ser nós a falar de como nos sentimos no nosso dia, o que nos agradou e o que nos entristeceu, ou chateou, ou assustou! 

As crianças vivem o presente, não fazem relatórios! Quando estão a brincar, a ouvir música, a relacionar-se uns com os outros, estão inteiramente e totalmente lá.

E quando passou, passou. 

Garanto-vos que entendo muito bem aquela ansiedade de querer saber se estiveram bem, se foram bem cuidados (segundo a nossa perspectiva, claro 😉)…

Ao mesmo tempo acredito que se realmente queremos que eles sintam o nosso amor, o nosso genuíno interesse é conectando-nos a eles que o conseguimos. Ligando-nos ao que sentem e não a uma lista de acontecimentos!

Quando vou buscar as minhas filhas a escola, procuro ter um tempo só com elas. Sem agenda. Sem telefones. (E sem culpa se não é possível!)

As vezes dando um passeio na natureza, onde há o tão precioso espaço e tempo certo para nos conectarmos, para criar e nutrir o vinculo, para sermos. Apenas isso. E esse tempo, surpreende-me sempre. Saio sempre mais rica, a nutrir e ser nutrida, a partilhar-me e a acolher partilhas incríveis. Sinto-me a contemplar a beleza das minhas filhas, a unicidade de cada uma…é um momento de grande regeneração, de crescimento da nossa relação.

Cuidado com as expectativas! Cuidado com a agenda…se fizerem isso com o objectivo (bem diferente da intenção!) de “sacar” informação, o resultado vai ser bem diferente, pode ser frustração, pouco satisfatório e lá vai a oportunidade de transmitir ao vosso filho a preciosa mensagem de “Amor incondicional”, de um “Vinculo seguro” e de desfrutarem verdadeiramente de um tempo juntos!!

Isso tanto é valido com os nossos filhos, como com qualquer outra relação que queiramos nutrir, com base em verdadeiro e genuíno amor, autenticidade, integridade, respeito, responsabilidade 😉