Maravilhas da natureza

Tudo o que vemos fora de nós, é porque o temos cá dentro.

E a medida que o reconhecemos fora, cresce internamente.

Quando digo tudo, é mesmo tudo… se vemos beleza, estamos a cultivar beleza, se vemos arrogância, estamos a cultivar arrogância… pode ser uma bela reflexão por esses tempos: o que estou a cultivar internamente?

O que vejo continuamente fora que não vejo cá dentro?

As vezes é desafiante encontrar em nós qualidades que reconhecemos em outras pessoas…e aqui vem a boa notícia: se as conseguimos reconhecer nos outros é porque as temos em nós, só precisam de ser vistas e cultivadas, reconhecidas, regadas, nutridas.

Precisam apenas da nossa atenção, que se acredite, que tenhamos confiança.

E é exactamente como com as crianças. Eles vão fazer com que as nossas definições, os rótulos que lhes damos, o que evidenciamos neles, defeitos ou qualidades se torne a mais fiel das verdades… Será que estou a tatuar mensagens como: “És um preguiçoso”, “És lento”, “És desarrumado” , ou como: “És tão inteligente”, “Foste tão corajoso”, “Tens umas ideias fantásticas”, “És tão criativo”….?

Nesta altura mais de que em qualquer outra: o que quero cultivar em mim?

O que estou a semear nos meus filhos?

Em que acredita a minha criança interior?

Muito amor para vocês todos nesse momento em que estamos obrigatoriamente todos mais “cá dentro”

25 Novembro – dia internacional pela eliminação da violência contra as mulheres

stop

Dia 25 de Novembro é o dia internacional para a eliminação da violência contra as mulheres. Esse tema me é muito querido e para mim está estritamente ligado a Parentalidade. Respeitar os nossos filhos, respeita-los fisicamente, emocionalmente, intelectualmente vai-lhe dar ferramentas para que eles não permitam ser vítimas nem agressores no futuro.

A violência nunca é o caminho.

A frase “uma palmada na hora certa resolve muita coisa e não mata ninguém” assusta-me, preocupa-me. Essa é a mensagem que transmitimos aos nossos filhos: que alguém tem direito (e eventualmente eu até mereço…😔) de me ferir, de passar os meus limites, sejam eles físicos, emocionais ou energéticos.

Mesmo que nós tenhamos sido alvo disto em criança, que tenhamos tido esse tipo de educação, isso precisa de ser visto, abraçado, curado, acolhido e não perpetuado, repetido!

Educar através do medo não é solução, não resulta! Ás consequências são imensas, profundas e podem estar muito escondidas na nossa criança interior.

Educar, colocar limites através do respeito é fundamental e é educar para o futuro, em vez de colocar um penso rápido que até pode resultar no momento (até uma certa idade…) mas tem um impacto enorme no desenvolvimento da criança, na construção da personalidade do futuro adulto!

Nós cuidadores, pais, educadores, temos uma grande responsabilidade sobre esse assunto, em primeiro lugar com o nosso exemplo de vida enquanto adultos, e depois directamente com as “nossas” crianças!

Quero agradecer muito a todas as mulheres que tem coragem de se declarar, de denunciar, de querer mudar, de sair, de querer ir às origens da própria dor, e que sabem até aproveitar esse caminho para se empoderar 🙏❤️ Tenho a sorte de ter conhecido algumas no meu caminho, nas sessões individuais, nas formações e elas sabem quão honro essa jornadas

A saída da escola ou É uma questão de intenções…

O momento da saída da escola pode ser um tempo de muita conexão ou de profunda frustração para os pais… muito depende de como nós vamos ao encontro dos nossos filhos.

Os pais normalmente se queixam que os filhos não partilham, não falam, não contam o que se passou no tempo em que tivemos afastados (isso pode ser no dia de escola ou pode ser quando ficam com os avós, ou com o outro progenitor em caso de país separados…)

A minha pergunta é: qual é a intenção pela qual quero saber? A verdadeira intenção. 

É a de procurar conexão com a criança, de estar verdadeiramente interessados no que ela sente, a de saber se ela está feliz ou não…

Ou de satisfazer o nosso medo? 

Ou a de querer controlar? 

Qual será o efeito que isso desencadeia neles?

“O que fizeste hoje na escola?”

“O que fizeste, onde foste no fim-de-semana com o pai, com quem estivaram?”

Como se sentiriam se alguém vos fizesse perguntas dessa forma? 

“O que fizeste hoje no trabalho?” 

“Com quem estiveste?”🤔

Se realmente estivermos interessados em saber como está a criança, talvez pudéssemos formular a pergunta de outra forma… 

“Como te sentes?”

“Como te sentiste hoje na escola?”

“O teu dia foi divertido?”

“Qual foi o momento mais fixe do teu dia e qual o menos agradável?”

Com verdadeiro interesse, curiosidade, amor : quero mesmo saber de ti, interessa-me saber se estás bem!

E mais uma vez, a importância do nosso exemplo: podemos ser nós a falar de como nos sentimos no nosso dia, o que nos agradou e o que nos entristeceu, ou chateou, ou assustou! 

As crianças vivem o presente, não fazem relatórios! Quando estão a brincar, a ouvir música, a relacionar-se uns com os outros, estão inteiramente e totalmente lá.

E quando passou, passou. 

Garanto-vos que entendo muito bem aquela ansiedade de querer saber se estiveram bem, se foram bem cuidados (segundo a nossa perspectiva, claro 😉)…

Ao mesmo tempo acredito que se realmente queremos que eles sintam o nosso amor, o nosso genuíno interesse é conectando-nos a eles que o conseguimos. Ligando-nos ao que sentem e não a uma lista de acontecimentos!

Quando vou buscar as minhas filhas a escola, procuro ter um tempo só com elas. Sem agenda. Sem telefones. (E sem culpa se não é possível!)

As vezes dando um passeio na natureza, onde há o tão precioso espaço e tempo certo para nos conectarmos, para criar e nutrir o vinculo, para sermos. Apenas isso. E esse tempo, surpreende-me sempre. Saio sempre mais rica, a nutrir e ser nutrida, a partilhar-me e a acolher partilhas incríveis. Sinto-me a contemplar a beleza das minhas filhas, a unicidade de cada uma…é um momento de grande regeneração, de crescimento da nossa relação.

Cuidado com as expectativas! Cuidado com a agenda…se fizerem isso com o objectivo (bem diferente da intenção!) de “sacar” informação, o resultado vai ser bem diferente, pode ser frustração, pouco satisfatório e lá vai a oportunidade de transmitir ao vosso filho a preciosa mensagem de “Amor incondicional”, de um “Vinculo seguro” e de desfrutarem verdadeiramente de um tempo juntos!!

Isso tanto é valido com os nossos filhos, como com qualquer outra relação que queiramos nutrir, com base em verdadeiro e genuíno amor, autenticidade, integridade, respeito, responsabilidade 😉