As Crianças desafiam-nos?

“A Criança que te desafia, está a mostrar-te o caminho para a tua cura!”

Está a iluminar o que na maioria das vezes não queremos enfrentar.
Acorda feridas que nem sabíamos de ter, que estavam escondidas na sombra.

Eu sei é mais fácil dizer “O meu filho está impossível”
“A minha filha tira-me do sério”
“Já não sei o que fazer com ele”
“Ela faz de propósito para me desafiar”
“Está a ser uma tortura”
“Ele faz-me perder a paciência como mais ninguém consegue”
…etc etc
Eu sei.

Mas também sei que se nos permitirmos parar, sentir, conectar com o que se passa cá dentro, há algo que provavelmente nunca foi visto. Algo que nunca foi acolhido. Algo que dói. Algo que precisa de ser abraçado. Algo que finalmente precisa de um olhar gentil. Algo que precisou de estar mascarado com uma armadura bem eficiente durante muito tempo.

Experimenta a ver o desafio como uma oportunidade de evolução. Fica curioso com a possibilidade de novos caminhos. Vai devagarinho e experimenta novas lentes de gentileza para ver o que está a tua frente com mais resolução, com compaixão e devagarinho, com gratidão. Percebendo que nada acontece por acaso e que as crianças a nossa volta só devolvem o que já existe, consciente ou inconsciente que seja 🙌✨

As vezes estamos tão habituados e confortáveis com o caminho que já percorremos tantas vezes que podemos não ver novas perspectivas… Se precisares de ajuda para isso, estou aqui! 🙏

Ser mãe

“Ser mãe é aprender a baloiçar entre o abraçar e o largar”

Mãe. 

Amor de mãe. 

Aquele que sabe quando é preciso segurar, abraçar, envolver, proteger e quando é fundamental deixar ir, largar.

A primeira vez que isso acontece é no nascimento. Nove meses a cuidar 24 horas por dia. Mas depois é essencial deixar ir. É mesmo aí que a criança aprende a respirar com os seus próprios pulmões. 

Acreditar, pela primeira vez,  que se o nosso filho não sair da proteção da nossa barriga, vai ser tão prejudicial que o vai levar à morte. Nossa e dele. 

Ser mãe tem a ver com equilíbrios. Tem a ver com essa capacidade de balancear entre abraçar, envolver, proteger e largar, deixar ir, abrir mão.

Obviamente essa atitude tem que acompanhar o desenvolvimento da criança, é importante estar informados sobre quais são as necessidades de cada fase de crescimento da criança! 

Sei que é muito desafiante…

Ao observar-me no meu ser mãe e nas sessões e cursos, percebi quanto na proteção cega dos filhos, muitas vezes está escondida na sombra uma falta de confiança neles e na capacidade/necessidade que eles têm de se adaptarem, de se autonomizar, de conseguirem. E muitas vezes também tenho observado como a dificuldade nesse deixá-los ir esconde um não querer olhar para as próprias vidas…esse cuidar “absoluto” ajuda a mantermo-nos muito ocupadas nesse “ser mãe” anulando todo os outros aspetos da nossa vida, até a nossa essência… 

Para um crescer saudável todas as crianças precisam que progressivamente se abra mão delas, que o amor incondicional que eles merecem inclui essa confiança no deixar ir, no cortar vários cordões umbilicais, porque ao longo do desenvolvimento precisam de ganhar asas e se afastarem seguros de serem profundamente amados nesse levantar voo.

Cérebro e crianças

O cérebro de uma criança é como uma casa em construção.

Quando nascemos a parte do cérebro, o “Cérebro reptiliano” que está “pronta para uso” é a parte mais primitiva, a que é fundamental para nos manter vivos, para sobreviver. É a parte mais instintiva, que nos faz respirar, digerir, dormir, acordar e desencadeia uma reação no nosso sistema nervoso quando detecta um alerta, é a que faz gritar um bebé deixado sozinho ou quando é retirado o seu brinquedo favorito a uma criança.

A outra parte do cérebro, o “Córtex pré-frontal”, a parte que consegue observar, analisar, planear, identificar e regular as emoções, empatizar, adaptar-se, só fica completamente desenvolvida aos 25 anos!

Saber isso foi para mim uma enorme ajuda na minha atitude frente ao comportamento as vezes muito desafiante das minhas filhas! Percebi que o comportamento delas é o melhor que elas sabem fazer e até que muitas vezes é um espelho do que está em mim, consciente ou inconsciente que seja…

Não podemos pretender que uma criança aja, entenda o seu comportamento emocional quando na realidade ainda não está equipada para isso!!!

Isso depende de mim. Enquanto adulto, tenho que assumir a responsabilidade de me saber autorregular, de lhe fazer de espelho, de lhe “dar a mão” nessa construção. De o ajudar a regular as emoções para que depois ele saiba autorregular-se.

O primeiro passo para que essa construção possa ser forte, saudável e segura é estabelecer o VÍNCULO. É através disso que o sistema nervoso se desenvolve. Se a criança se sentir vista e amada, o seu sistema de alerta vai baixar e vai estar aberta e disponível para aprender, para se desenvolver.

A boa notícia é que mesmo não tendo recebido essa regulação na nossa infância de forma saudável, podemos remodelar os nossos padrões de resposta através de um vínculo saudável durante a vida toda, enquanto estamos vivos!

Nunca é tarde para termos uma infância feliz!

É fundamental, enquanto adulto, ganhar consciência dos padrões do sistema nervoso, saber reconhecer as emoções que me habitam, identificar e respeitar as minhas necessidades profundas – Se leram até aqui, já entenderam que não vale dizer “Preciso que o meu filho se porte bem” !!!!!

A minha proposta para aprofundar esse conhecimento e tornamo-nos mais capazes e empoderados é o Curso #SomosTodsFilhos!