Dar a mão

A minha mãe não era de muitas palavras doces, mas uma vez disse-me “Cada vez que eu apertar a tua mão quer dizer que te amo”
Daí esse gesto ter tanto significado para mim.

Dar a mão.
Uma expressão de comunicação, do cuidar tão esquecida. As vezes até temida, como se de um sinal de fraqueza se tratasse.
Eu adoro esse gesto, que me traz o sentido de pertença e vínculo.
E até é o que representa o que eu faço, a minha profissão.
O que fazes Marzia? Dou a mão.

Sentir a mão de alguém dá-nos segurança.
Diz-nos “Não estás sozinho” , “Estou aqui contigo”

A importância de termos alguém que nos dê a mão em travessias mais desafiantes é algo que muda completamente como vamos enfrentar-las.
Como na jornada do herói, do Joseph Campbell, quando andamos por territórios desconhecidos, uma mão de quem já percorreu aquele caminho faz-nos sentir mais tranquilos, mais seguros.
O outro não faz o caminho por nós, mas está ao nosso lado.
É esse o conforto que traz o dar a mão.

Aqui está a minha, como mãe, como filha, como irmã, como amiga, como companheira, como terapeuta, como formadora, como mentora.
São mãos diferentes, mas cada uma com a intenção de presença. Eu estou aqui.

É uma honra dar a mão a quem na minha confia 🙌
Gratidão a todos os que me deram a mão na partilha de momentos felizes e nas alturas mais desafiantes da minha vida 🙏

Pedir ajuda

Antigamente vivia-se em espírito de comunidade, as famílias viviam próximas e havia muita entreajuda. Hoje em dia vivemos sempre mais isolados, (o Covid veio sublinhar isso…) atrás de ecrãs e redes sociais onde a felicidade parece reinar e o “Vai ficar tudo bem” é o mantra.

Embora eu acredite que “está tudo bem assim como está” e há uma razão para tudo ser assim como é, as vezes ver a luz ao fundo do túnel é um desafio. Há alturas em que precisamos que alguém nos dê a mão. Há dias em que é fundamental saber que não estamos sozinhos (mesmo que assim pareça, ou os nossos pensamentos mais sombrios nos queiram fazer acreditar).

Fazem falta possibilidades de partilhas autênticas, onde tudo é bem-vindo, onde qualquer estado de ânimo é abraçado, onde as nossas dúvidas ou vergonhas são acolhidas sem julgamento. Fazem-nos falta lugares ou pessoas que nos oferecem colos.

Pedir ajuda é um grande ato de coragem.

Saber que precisamos de ajuda, precisa de vulnerabilidade, da força da fragilidade.

Precisamos de poder mostrar-nos na nossa integridade, despindo o “eu consigo” que está vestido de numa contração emocional e corpórea e de um esforço desumano.

Somos mamíferos, somos seres de relações. Precisamos uns dos outros.

Eu agradeço-me por me ter tornado vulnerável, por te sabido despir a minha armadura quando necessário, por ter mostrado a minha fragilidade, as minhas dores, as minhas imperfeições, as minhas mágoas, por ter-me permitido chorar, confiar, render-me, ter deixado de querer controlar e aguentar tudo.

Agradeço a minha família (de sangue e de amigos) , as minhas filhas e aos terapeutas por me acolherem e me dar suporte nos momentos mais críticos da minha vida. Cada um à sua maneira. 🙌

Agradeço a todas as pessoas que me escolheram como suporte, que se vulnerabilizaram, que se despiram, que confiaram em mim e nas minhas capacidade, seja a nível profissional que pessoal.🙏❤️🙌

Peçam ajuda. A alguém em quem confiem, a um profissional. Não deixem que o túnel fique demasiado escuro. Eu sei que custa, eu sei que é um desafio. Mas não deixem de o fazer, é fundamental. Pedir ajuda não significa não estar á altura, não significa ser incapaz. Significa o oposto: ter coragem de me expor e de me predispor a receber o suporte necessário naquele moment. Para não se sentirem sozinhos. Para sentirem o apoio.

Para quem quiser, por quem sentir que eu possa ser a pessoa certa para ajudar, estou aqui!