Monviso – Alpes Italianos – edição 2025

A Jornada que transforma passo a passo

Na primeira edição desta jornada ao redor do Monviso éramos um grupo de 10 pessoas, homens e mulheres.
Essa diversidade é, para mim, profundamente importante, pois cria uma energia equilibrada, segura e viva.

Foi especialmente tocante levar pessoas do país que me acolhe a conhecer as minhas raízes, a minha cultura e, sobretudo, a energia única da alta montanha, uma realidade que não existe em Portugal. A vida ali acontece noutro ritmo, noutro silêncio, num convite contínuo à presença, à contemplação e à simplicidade essencial.

Viajar em grupo é uma experiência completamente diferente de caminhar sozinha.
Se a natureza por si só já espelha o que trazemos dentro, um grupo torna esse espelho mais intenso, amplifica o melhor de nós e também revela desafios internos profundos. E é aí que acontece a verdadeira transformação.

Num dos dias mais exigentes fisicamente, um participante estava exausto sem conseguir reconhecer o próprio limite. Propus então algo simples: distribuir o peso da sua mochila pelo grupo.
Receber ajuda pode ser profundamente desafiante quando, por dentro, acreditamos que temos de dar conta de tudo sozinhos.
Eu tenho que ser capaz de levar a minha carga.
Uma frase simples, mas que diz tanto sobre cada um de nós.

A montanha põe a nu o que nos habita e convida-nos e, às vezes, obriga-nos, a enfrentar questões que nem sabíamos que existiam.
Esse momento transformou a viagem para todos.

Porque a essência desta jornada é exatamente essa: Cada pessoa ser vista na sua singularidade, enquanto descobre a força imensa da união e do grupo.

Durante a semana houve várias surpresas além do programa: visita a uma gruta, cascatas, banhos gelados no rio maior de Italia, concerto de handpan sob a lua cheia, massagens, danças…
Vivemos sol intenso, calor, nevoeiro e chuva, por vezes tudo no mesmo dia.
Cada mudança trouxe um ensinamento sobre impermanência, adaptação, empoderamento, superação e confiança na vida tal como ela se apresenta.

No final, ninguém queria ir embora.
As pessoas regressaram com o corpo e a alma revigorados, mais fortes, mais seguras, mais vivas, como se tivessem passado por um verdadeiro “spa da alma”: um processo terapêutico contínuo, leve, sem paredes, sem relógio, sem esforço mental.

A montanha não fica apenas na memória.
Fica dentro de nós.
Move, limpa, reorganiza.

Eu regressei com uma certeza muito clara: quero continuar a proporcionar este tipo de vivências.
E também eu regressei transformada, com mais segurança, mais confiança e um profundo orgulho na minha capacidade de ver e acolher cada pessoa individualmente e, ao mesmo tempo, sustentar o todo do grupo.

Se sentes o chamamento da montanha, talvez a Jornada do Monviso esteja a chamar por ti.

Junta-te à edição de 2026!